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Morreu um Homem Bom!

O Movimento Monárquico teve ontem uma perda irreparável.

Conheci o Manuel Sampaio Pimentel há mais de 30 anos e Ele teria, nessa altura, provavelmente mais 30 anos do que eu. Nos escombros do PPM, teve a coragem de construir uma proposta de União a que chamamos Gabinete de Unidade Monárquica. Reuniu á sua volta, curiosamente, não amigos da sua idade como seria natural, mas com jovens que, como eu, tinham menos 30 anos do que Ele.

A sua jovialidade, delicadeza e consideração por cada um de nós, marcaram-nos muito e deram-nos um exemplo de dedicação e de serviço que, julgo, nos ficaram para a Vida.

O Manuel Sampaio Pimentel era um homem suave e delicado, mas não era um romântico. Tinha um sonho, igual ao de todos nós, mas tinha a consciência que só o cumpriria, com trabalho árduo na defesa intransigente das suas convicções. Talvez por isso nos escolheu, nos anos generosos da juventude.

Foi do Gabinete de Unidade Monárquica que se estabeleceram as primeiras reuniões para a constituição do Movimento das Reais Associações. Constitui-se a primeira no Ribatejo e logo a seguir, num estatuto de que foi o principal inspirador, a Real Associação do Porto de que ele foi, apenas, o associado nº 1. Este estatuto serviu para constituir, logo a seguir, as Reais de Braga e de Viana. O Movimento propagou-se ao País inteiro. Muito pelo seu mérito, o seu pragmatismo, a sua inspiração.

O Movimento Monárquico deve-lhe muito e nesta altura em que, depois de doença prolongada, nos abandona, ainda nos sentimos órfãos daquele sorriso suave com que nos convencia a acreditar nas coisas boas da vida.

Talvez por isso, ou principalmente por isso – há Homens que vão para além da sua obra,  será sempre uma referência incontornável para o que é hoje o Movimento Monárquico em Portugal.

Mas O Manuel Sampaio Pimentel foi ainda, ou principalmente, um homem de carácter, de causas e de valores. Numa palavra um Homem Bom.

Por tudo o que foi e que fez pela nossa Causa merece a memória e a saudade dos que com ele tiveram o privilégio de trabalhar e, claro, homenagem legitima de todo o Movimento Monárquico.

Mas por ter sido um Homem Bom, tão raro nos dias de hoje como nos dias pardos da antiga Grécia onde Diógenes de Sinupe os procurava com a sua lanterna, merece a gratidão e o reconhecimento de Portugal e dos Portugueses.

António de Souza-Cardoso

(Presidente da Causa Real)

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